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Gramáticas do Erotismo: Audre Lorde – O erótico como poder

  • Foto do escritor: Luis Blanco
    Luis Blanco
  • 27 de mar. de 2025
  • 1 min de leitura

Atualizado: 28 de mar. de 2025

Erotismo como força criadora e insurgente


Para Audre Lorde, o erótico não é uma frivolidade.Não é o luxo da pele.Não é o capricho da libido.

O erótico é poder subterrâneo,força vital que brota do âmago do ser.É aquilo que pulsa dentro — e que, se escutado, transforma o fora.



Egon Schiele
Egon Schiele

Não se trata apenas de desejo sexual.

O erótico, em Lorde, é um saber encarnado,

uma fonte de criatividade, de verdade, de presença.

Um saber que não passa pela lógica da dominação,

mas pela escuta daquilo que vibra mais fundo.


“O erótico é uma medida entre o começo do nosso senso de autoestima

e o abismo da nossa total aniquilação.”


Esse abismo — entre o que se deseja e o que se cala — é político.

Porque mulheres, corpos racializados, dissidentes, foram ensinados a não desejar.

Ou a desejar apenas o que lhes foi permitido.


Audre Lorde nos lembra que o corpo que sente é o corpo que sabe.

E que esse saber é perigoso para os poderes que preferem corpos adormecidos.

Corpos domesticados, funcionais, produtivos.


Por isso, despertar o erótico é gesto de insubmissão.

É recusar o automatismo.

É confiar naquilo que aquece, arrepia, vibra.

É fazer da alegria uma prática radical.


Ela escreve como quem acende um fogo:

não para incendiar, mas para aquecer o mundo de dentro.

Para reaproximar o desejo da justiça,

o prazer da dignidade,

a intimidade da liberdade.

 
 
 

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