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PROCESSO ZARATUSTRA

Investimento

USD 150 por encontro · Total USD 450

Rasjid: +598 91893193

Duração

Setembro: 19 e 20
Outubro: 17 e 18
Novembro: 21 e 22

Montevidéu, Uruguai

Sobre o curso




UMA CLÍNICA DA POTÊNCIA E DAS TRANSMUTAÇÕES DAS SUBJETIVIDADES

Ateliê de subjetividades

“É preciso ainda ter caos dentro de si para poder dar à luz uma estrela dançante.”— Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra 


Uma proposta de experiência e transformação

O Processo Zaratustra não é um curso sobre Nietzsche nem um grupo de estudos de Assim falou Zaratustra, embora a leitura de Nietzsche atravesse profundamente todo o trabalho.

Também não se propõe como uma psicoterapia de grupo no sentido convencional.

É um ateliê de subjetividades: um espaço de experimentação no qual corpo, pensamento, afetos, respiração, movimento, palavra, silêncio, teatro e criação se encontram.

Partimos de uma pergunta fundamental:

Até que ponto a vida que vivemos expressa nossa potência e até que ponto está organizada por hábitos, medos, obediências, culpas e formas de existência que incorporamos ao longo de nossa história?

Nietzsche não pensa o ser humano como uma identidade acabada. Não há um “eu” definitivo que devamos descobrir por trás de nossas máscaras. Somos uma multiplicidade de forças, afetos, memórias, valores, gestos, tensões, desejos e modos de relação que se encontram continuamente em movimento.

Por isso falamos de transmutações das subjetividades.

Não buscamos substituir uma identidade por outra, nem construir uma versão supostamente superior de nós mesmos. Interessa-nos criar condições para que determinadas formas cristalizadas de existência possam perder sua rigidez e para que apareçam outras possibilidades de sentir, pensar, relacionar-se e agir.


Uma fisiopsicologia

Nietzsche utiliza uma expressão particularmente fértil para este trabalho: fisiopsicologia.

Pensamento e corpo não constituem dois mundos separados.

Pensamos também com nossa respiração, nossa musculatura, nossa postura, nossa sexualidade, nossos ritmos, nossos medos, nossos prazeres e nossa história corporal.

Uma ideia pode habitar uma mandíbula contraída.

Uma proibição pode permanecer numa respiração que nunca termina de se abrir.

Uma antiga obediência pode reaparecer na impossibilidade de dizer não.

Uma forma de tristeza pode ter se transformado em postura.

E também uma nova experiência corporal pode produzir um pensamento que ainda não existia.

Por isso, neste processo, Nietzsche será lido também a partir do corpo.

A filosofia deixa de ser somente interpretação conceitual e pode tornar-se experiência.


A vontade de potência

Um dos eixos do processo será a noção nietzschiana de vontade de potência.

Não a entendemos como vontade de dominar os outros nem como exaltação de um indivíduo forte.

A potência é, antes de tudo, a capacidade de uma vida de criar formas, estabelecer relações, transformar-se, incorporar experiências, atravessar crises e produzir novos valores.

Nessa perspectiva, muitos sintomas, defesas e modos repetitivos de viver podem ser compreendidos também como organizações de forças que, em determinado momento de nossa história, tiveram uma função.

Não se trata, portanto, de combater a nós mesmos.

A pergunta muda:

Que forças estão atuando aqui?

O que precisa ser conservado?

O que já não precisa ser sustentado?

Que novas possibilidades estão tentando nascer?


Do conhecimento à experiência

Podemos compreender intelectualmente muitas coisas a respeito de nós mesmos e continuar vivendo exatamente da mesma maneira.

O corpo tem outros tempos.

Por isso, o Processo Zaratustra trabalha na fronteira entre compreensão e experiência.

Integraremos leituras comentadas de Assim falou Zaratustra com práticas provenientes da Integração Organísmica, respiração, percepção corporal, abertura de tensões musculares, movimento espontâneo, teatro físico, improvisação, dança, encontros em pequenos grupos, silêncio e espaços de elaboração da experiência.

Não se trata de aplicar técnicas sobre uma pessoa.

Cada prática será um convite a investigar:

O que acontece comigo quando permaneço aqui?

O que aparece em meu corpo?

O que evito?

O que desejo?

Que forças me contraem?

O que aumenta minha potência de existir?

O próprio grupo será parte fundamental do processo.

Não somos organismos isolados. Constituímo-nos em relações, ressonâncias, encontros e conversações. A presença dos outros pode tornar visíveis territórios de nós mesmos que permaneciam inacessíveis na solidão.


As três metamorfoses

Zaratustra fala de três metamorfoses do espírito: o Camelo, o Leão e a Criança.

Não as tomaremos como etapas evolutivas rígidas. Vamos utilizá-las como figuras vivas para explorar diferentes modos de existência.


O Camelo — “Tu deves”

O Camelo carrega.

Carrega valores, mandatos, deveres, ideais, responsabilidades, culpas e expectativas.

Todos precisamos incorporar um mundo para poder viver. Recebemos uma língua, uma família, uma cultura, valores e maneiras de amar. Mas aquilo que um dia nos sustentou pode posteriormente transformar-se em peso.

Investigaremos nossos “tu deves”:

as exigências familiares e sociais, os ideais acerca de quem deveríamos ser, os julgamentos morais incorporados, as formas de obediência e as tensões corporais através das quais continuamos carregando aquilo que talvez já não precisemos carregar.

Não para rejeitar nossa história, mas para podermos nos relacionar com ela de outra maneira.


O Leão — “Eu quero”

O Leão aparece quando algo em nós pode finalmente dizer:

“Eu quero.”

É a força que enfrenta o grande dragão do “Tu deves”.

Aqui entramos no território da afirmação, do limite, da agressividade vital, da capacidade de dizer não, de separar-se, de abandonar antigas obediências e recuperar forças que permaneciam inibidas.

Mas Nietzsche sabe que o Leão ainda não pode criar novos valores.

Pode conquistar a liberdade.

Ainda precisa aprender o que fazer com ela.

Por isso, o Leão é uma passagem, não um destino.


A Criança — o grande Sim

A terceira metamorfose é talvez a mais misteriosa.

A Criança é inocência, esquecimento, jogo, começo, movimento criador.

Não significa regressar à infância.

Significa conquistar uma forma de existência capaz de criar depois de ter atravessado o peso e a luta.

Depois do “Tu deves” do Camelo e do “Eu quero” do Leão pode aparecer outra afirmação:

o Sim à vida.

Aqui entram o jogo, a sensualidade, a curiosidade, os afetos alegres, a dança, a criação e a possibilidade de fazer da própria existência uma obra sempre inacabada.


Apolo e Dionísio

Nosso trabalho atravessará também outra grande tensão nietzschiana: Apolo e Dionísio.

Apolo dá forma, diferenciação, limite e clareza.

Dionísio introduz intensidade, embriaguez, música, corpo, excesso, dissolução de fronteiras e participação no movimento da vida.

Não buscamos escolher entre ambos.

Interessa-nos experimentar sua tensão e sua complementaridade.

Forma sem intensidade pode transformar-se em rigidez.

Intensidade sem forma pode transformar-se em dispersão.

Criar uma existência talvez implique aprender a dançar entre essas duas forças.


Uma clínica da potência

Quando falamos de clínica, não estamos falando somente de doença ou de tratamento.

Recuperamos uma clínica como arte de aproximar-se dos modos singulares de existência.

Uma clínica capaz de perguntar não somente:

“Que problema tem esta pessoa?”

mas também:

“O que pode este corpo?”

“O que diminui sua potência?”

“Que encontros a aumentam?”

“Que formas de vida estão querendo emergir?”

Nesse sentido, o Processo Zaratustra encontra-se com a Integração Organísmica, perspectiva desenvolvida ao longo de décadas de trabalho clínico e corporal.

O organismo não é pensado como uma máquina que deve ser corrigida, mas como um campo vivo, histórico e relacional, permanentemente afetado por outros corpos, pela cultura, por suas memórias e pelas possibilidades ainda não realizadas de sua existência.


O campo de confiança

Antes de qualquer trabalho profundo, é necessário construir um campo de confiança.

Por isso, o primeiro encontro será dedicado especialmente à presença, à respiração, ao contato, à percepção corporal, à ressonância entre as pessoas e à criação de um território grupal suficientemente seguro para a experimentação.

Não buscamos forçar experiências nem produzir catarse.

Cada participante poderá encontrar seu próprio ritmo.

A transformação que nos interessa não provém de violentar as defesas, mas de criar condições nas quais algumas defesas possam deixar de ser necessárias.


Fazer da vida uma obra de arte

No fundo, o Processo Zaratustra gira em torno de uma questão simples e imensa:

Como queremos viver?

Não existe uma resposta universal.

Por isso, este trabalho não propõe uma nova moral, uma doutrina nem um modelo de ser humano.

Propõe experiências.

Propõe perguntas.

Propõe encontros.

Propõe atravessar algumas das forças que nos constituem e experimentar o que acontece quando deixamos de nos considerar uma identidade terminada.

Talvez, então, transformação não signifique converter-nos em outra pessoa.

Talvez signifique permitir que a vida volte a se mover onde havia se detido.

Nietzsche chamou isso, de diferentes maneiras, de superação de si, vontade de potência, criação de valores, amor fati, grande saúde e afirmação da vida.

Zaratustra desce de sua montanha porque necessita de companheiros.

Também nós propomos uma travessia realizada entre companheiros.

Não sabemos de antemão que estrela poderá nascer dela.

Mas podemos criar juntos as condições para que o caos volte a ser fértil.

Não se trata de encontrar uma nova verdade sobre nós mesmos.

Trata-se de aumentar nossa capacidade de viver, criar, amar, encontrar-nos e dizer Sim à vida.


PROCESSO ZARATUSTRA

Uma viagem de transformação, criação e celebração da vida.

Coordenador

Manoel Brandão

Manoel Brandão

Médico psiquiatra e psicoterapeuta, com 45 anos de experiência clínica.

Criador da Integração Organísmica, abordagem que vem desenvolvendo há mais de 35 anos, integrando psicoterapia corporal, filosofia, arte e práticas contemplativas.

Foi pioneiro na introdução e difusão das psicoterapias corporais no Uruguai, na década de 1990.

Graduou-se em Medicina e Filosofia em Salvador — BA e especializou-se em Psiquiatria em 1979. Trabalhou durante 12 anos em hospitais psiquiátricos e no SUS.

Formações Reichianas

Formou-se em Psicodrama e em diferentes correntes da psicoterapia reichiana com J. A. Gaiarsa, Federico Navarro, Genovino Ferri, David Boadella e Laura Dillon (Osho Pulsation).

Estudou Experiência Somática com Peter Levine (Somatic Experiencing®) e formou-se em Vivation.

Foi aluno de Claudio Naranjo (SAT, 1993) e de Humberto Maturana, com quem estudou o novo paradigma da biologia do conhecer.

Discípulo de Osho (Punta del Este, 1985; Poona, 1987) e formado em Osho Pulsation.

Integra em seu trabalho recursos da Fisiopsicologia de Nietzsche com uma perspectiva Somática, compreendendo o corpo como expressão da potência vital, campo de forças, afetos e transformações da consciência.

Sua abordagem integra corpo, desejo, consciência e cultura, articulando psicoterapia, espiritualidade e criação como caminhos de transformação.

Coordenação

Rasjid Cesar

Manoel Brandão

Bailarino, coreógrafo e professor de dança butoh, mímico, clown, ator, diretor e artista marcial.

Criador do programa Arte e Sensibilização, com o qual trabalhou durante oito anos com mulheres privadas de liberdade na Argentina. Ministrou aulas desse programa na Universidade Nacional de San Martín. Dirigiu grupos de teatro e realizou montagens cênicas com pessoas com necessidades especiais.

Formou-se em Integração Organísmica com Manoel Brandão. Criou os Jogos de Transformação Ético-Estética junto com o psicólogo Raúl Cala; ambos coordenaram grupos terapêuticos integrando recursos cênicos à clínica grupal.

Suas obras de butoh foram apresentadas em festivais no Japão, França, Espanha, Áustria, Colômbia, Chile, Argentina e Uruguai. Colaborou com Katsura Kan e Rhea Volij e produziu trabalhos de Ko Murobushi, Yuko Kaseki e Minako Seki.

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